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dialogues, propositions, histoires pour une citoyenneté mondiale

Soja e um denominador comum

Luc Vankrunkelsven

03 / 2004

Hoje, 8 de março de 2004, será realizado no Parlamento Flamengo a manifestação final de DP 21 vzw (Dierlijke Productie 21ste eeuw vzw [‘Produção Animal século XXI’, organização sem fins lucrativos]), em conjunto com a fundação Koning Boudewijn [Rei Balduíno].

Há quase dois anos foram realizadas sessões de diálogo entre os assim chamados diretamente interessados (stakeholders): ‘setor primário’ (para não dizer ‘agricultores’), fornecedores de insumos (ração animal, etc.), processamento, distribuição, governo, ensino, pesquisa e… ONGs. É interessante observar quais são os denominadores comuns, onde estão os pontos cegos em cada grupo de participantes, quais são as principais preocupações. ‘Diálogo’ e as tentativas neste sentido são muito louváveis, desde que as diferenças na correlação de forças não fossem ignoradas. Por exemplo, o setor de ração animal tem uma força (econômico-financeira) muito distinta de um representante de uma ONG com uma caneta afiada. Se para um trata-se de dinheiro grosso, pode ser que para o outro seja uma indignação ética expressa em escritos, discursos e publicações.

Aliás, em que medida podem ser levantadas questões fundamentais num contexto como ‘produção animal’ (expressão, por si só, muito reveladora da visão sobre Agricultura e Vida)? Será que o consumo (excessivo) de carne e os interesses relacionados com carne (exportação) poderão ser abordados em nossa região? O que fazer a respeito dos 1,3 bilhão de chineses que, nos últimos 20 anos, passaram de um consumo médio de carne de cerca de 15 kg/ano para 34 kg/ano. Este é um deslocamento planetário que traz consigo, no momento, o direcionamento de um fluxo mundial de farinha de peixe para a China. A partir de 2001, o fluxo de soja a partir do Brasil também se deslocou claramente na direção da China com seus consumidores de carne e peixe. Peixe? Muito da farinha de peixe dos mares do mundo segue para a China. Como o pescado nos mares está se esgotando, a aqüicultura – em franca expansão no mundo – tem que se contentar com… soja. Estes peixes são alimentados cada vez mais com soja.

Enquanto isso, o preço de soja no mercado mundial explodiu e os últimos metros quadrados no Brasil, Argentina e Paraguai são ocupados com soja.

Neste dia de retorno buscamos ‘um denominador comum’. Na verdade, é uma descrição bastante cínica. Pretende-se responder à pergunta de quais interesses nós, enquanto diferentes stakeholders, temos em comum para eventualmente nos mobilizarmos. Mas há alguns importantes stakeholders que não aparecem. Eles não estão sentados em torno da mesa: os pequenos agricultores familiares que não conseguem mais se sustentar economicamente e que são expulsos de suas terras ou são forçados a vendê-las; os povos nativos cujos direitos são desrespeitados; as florestas que são derrubadas em ritmo acelerado; os pássaros que são extintos; os ciclos hidrológicos que são desregulados, a água que é desperdiçada; o solo que é erodido; a cultura do uso comunitário das terras, …

‘Denominador comum’? (1)

No mundo todo, as terras tornaram-se propriedade particular, fonte de especulação e acumulação de riquezas. Além disso, a terra propriamente dita se mantém fora do campo de visão na concha do Parlamento Flamengo. ‘Empresas sem terras’ em Flandres Ocidental têm suas terras localizadas no Brasil, nos EUA, nos mares. Individualmente, o agricultor de Flandres não tem ‘culpa’ disso, mas o sistema ainda pode ser tornado público, não é?!

Ração animal para consumo de carne necessita de muito mais ‘terra’ do que o consumo humano de, por exemplo, soja.

Em qual sessão de diálogo poderemos levantar estas questões fundamentais? Afinal, temos somente uma terra que sustenta a nós todos.

 

(1) Nota do tradutor: a expressão em neerlandês ‘gemeenschappelijk grond’ – no original – é um jogo de palavras; a tradução literal da expressão é ‘terras comunitárias’, mas o debate em torno do ‘denominador comum’ ignora completamente a disputa por terras e o drama social e ecológico que se desenrola no campo, no Brasil e em outros países produtores de soja.

Mots-clés

influence du marché sur l’agriculture, soja, agriculture et élevage


, Brésil

dossier

Navios que se cruzam na calada da noite: soja sobre o oceano

Notes

Esse texto foi tirado do livro « Navios que se cruzam na calada da noite : soja sobre o oceano » de Luc Vankrunkelsven. Editado pela editora Grafica Popular - CEFURIA en 2006.

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