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Soja e colza

Luc Vankrunkelsven

04 / 2005

O grupo de colabores de Wervel acaba de retornar do Brasil. Todos ainda estão sob influência das impressões do intercâmbio entre agricultores brasileiros e flamengos envolvendo nosso tema: soja, soja e mais soja!

Dentro de alguns dias terei que dar uma palestra em ‘De Gaarde’, em Udenhout, Holanda (www.degaarde.org). ‘De Gaarde’ é um centro espiritual-ecológico único. Nesta tarde vamos falar sobre nossa ‘pegada’ ecológica, tendo como exemplo o consumo excessivo de carne e o uso de carros particulares.

Colza, colza e mais colza

Após três meses de desertos de soja impregnando minha retina, no outro lado do oceano deparo-me com um fenômeno que até então me era desconhecido: colza, colza e mais colza! Será que estamos diante de uma nova imagem no espelho Brasil/Europa? Reduzir gradativamente a importação de soja, substituindo-a por colza. Será este o futuro?

É claro que eu sabia que a colza está em franca ascensão. Lá no Brasil até escrevi um artigo sobre isso para ‘Boer & Tuinder’[Agricultor & Horticultor] (15 de abril de 2005). Um trecho: “Cerca de 80% dos agricultores flamengos seriam favoráveis à idéia de cultivar espécies energéticas. Principalmente a área plantada com colza terá um incremento considerável em 2005. Além disso, é possível uma ligação interessante entre biodiesel para motores e proteínas para os animais nas propriedades. Novamente, comparável com o que ocorre no Brasil: farelo de soja para ração animal e óleo de soja – não só como óleo para frituras, mas para os caminhões da cooperativa agrícola.”

O que deixei de perceber é que agora até os acostamentos ao longo das rodovias estão cheios de colza. É primavera e ela está em plena floração, tanto na Holanda quanto em Flandres. Ao invés da multicolorida biodiversidade de flores nos acostamentos, estes últimos remanescentes naturais estão sendo convertidos, cada vez mais, em monocultura. É bonito ver todo aquele amarelo, mas meu estômago se contrai de preocupação. É que não há somente variedades de colza para verão, mas também variedades de colza para o inverno. Depois da primavera vem o verão, depois do verão o outono e o inverno: colza, colza e mais colza.

Diante da questão dos OGM, há muito tempo já foi alertado que a colza geneticamente manipulada tem um poder de contaminação muito mais rápido e de maior alcance que a soja. Mas as sementes da colza convencional também ocupam a paisagem numa velocidade espantosa.

Espantosa? Atualmente, foram plantados em Flandres (oficialmente) somente 85 hectares com colza, não contando os acostamentos! Mas logo será forçado um avanço: tanto o maior sindicato rural ‘Boerenbond’ quanto os governos flamengo e belga estimulam intensivamente os agricultores a adentrar com entusiasmo este paraíso amarelo-ouro de colza. No final de 2005, muitos ônibus do governo de Flandres irão usar PPO [óleo vegetal extraído a frio] como combustível. Kyoto ‘obriga-nos’ a isso. Entretanto, colza oferece muito mais possibilidades do que simplesmente usá-la para fazer rodar veículos. Faça uma visita a www.ppo.be.

Ervas daninhas teimosas

Dias atrás, durante o jantar, eu conversava com um confrade. Ele falava sobre ‘os alemães’ que, durante a guerra, obrigavam os agricultores a plantar colza. Se foi para biodiesel ou consumo humano não ficou claro. O fato é que o senhor Diesel fez rodar seu primeiro veículo usando como combustível óleo vegetal…

Meu companheiro de mesa continuou: “Durante anos, quando éramos crianças, precisávamos arrancar a teimosa colza das lavouras de batatas. Ela é muito agressiva, difícil de ser eliminada.”

Será que não aprendemos nada com a história?

Será este o futuro cenário para a reconstrução de nossa paisagem?

Será sempre e cada vez mais colza neste lado do Oceano Atlântico?

E… sempre e cada vez mais soja do outro lado?

Em Limburgo, duas safras de colza ao ano. Em Amapá, três safras de soja ao ano.

E viva a (agro)biodiversidade!

Mots-clés

soja, coopération Nord Sud, monoculture, biodiversité


, Brésil, Pays-Bas

dossier

Navios que se cruzam na calada da noite: soja sobre o oceano

Notes

Esse texto foi tirado do livro « Navios que se cruzam na calada da noite : soja sobre o oceano » de Luc Vankrunkelsven. Editado pela editora Grafica Popular - CEFURIA en 2006.

Source

Livre

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