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Desenvolvendo um programa de psiquiatria comunitària em uma favela no nordeste do Brasil

As liçôes de uma experiencia

(Un programme de psychiatrie communautaire dans une favela du nordeste du Brésil Les leçons de l’expérience)

Adalberto BARRETO

11 / 1993

Nestes 6 anos temos concentrado nosso esfôrço nos vínculos que ligam as pessoas entre si; que ligam tradiçâo e modernidade; que ligam o homem e a cultura, que articula o saber popular e o saber científico, que ligam a universidade e a comunidade e que aproximam a comunidade dos excluidos. Este trabalho tem exigido um esfôrço interdisciplinar em vista de uma açao transdisciplinar.

A interdisciplinaridade exige mais do que o somatôrio de profissionais especializados. Ela tem que ser na perspective da complementaridade, uma vez que:

1- Nenhuma técnica-especializaçâo pode apreender a totalidade da problematica em questâo;

2- Nâo hà a verdade e sim leituras de um fato onde cada um lê, em funçâo de sua perspective de sua prôpria historia pessoal. Necessitamos relativizar nossos modelos explicativos tendo em vista que todo modelo é uma construçâo provisôria. Nesta perspectiva, a interdisciplinaridade exige diàlogo, interpelaçâo entre as diferentes disciplinas para consolidar a açâo e para permitir o crescimento dos profissionais. Para isso temos que ter as dobradiças da inteligência e da consciência, flexíveis para a abertura ao desconhecido. A interdisciplinaridade pode conduzir a um impasse, quando é usada como estando a serviço de uma especialidade. Nestes casos surgem conflitos na equipe onde predominam questôes de autoafirmaçâo, competiçâo, repercutindo negativamente no paciente que torna-se peça no jogo do poder. Estamos convencidos que toda interdisciplinaridade, deve culminar com uma açâo transdisciplinar. Isto é, nâo deve haver prevalencia de uma especialidade sobre o objeto da açâo. A preocupaçâo é o "sujeito" o "paciente" do qual tenho certo conhecimento e posso trazer contribuiçâo parcial. Isso pre-supoe uma atitude de respeito a outros profissionais porque passo a conhecer meus limites e tenho consciencia da complexidade do " objeto-sujeito" da minha açâo.

Além das exigencias de um diàlogo incessante entre profissionais temos que estabelecer mesmo diàlogo com a comunidade que oferece outras variantes que interferem decisivamente no processo de cura. Por exemplo: o que fazer da contribuiçâo de familiares e vizinhos? Como respeitar os valores culturais, as crenças? O que sabemos dela, o que ela tem a nos dizer? O que fazer das potencialidades terapeuticas integrativas da prôpria comunidade?

Mots-clés

Brésil

Commentaire

Nossa pesquisa açào situa-se no cruzamento das disfunçôes, no fogo cruzado dos conflitos, no processo que privilegia as inter-açôes entre os diversos saberes, adotando uma metodologia participativa, transdisciplinar e transcultural. Isto é tentamos ultrapassar as especialidades tando do saber científico como do saber popular e de seu necessàrio interquestionamento.

Nossa açâo tem nos firmado na conviçao que o futuro da psiquiatria nâo será mais no investimento de espaços azilares que excluem os que sofrem, que ghetizam os doentes mentais, que excluem a participaçao dos valores culturais, mas sobretudo no refôrço dos vinculos interpessoais e culturais; que unem, fortalecem e fazem o homem descobrir o sentido da pertença. A cultura é tal qual teia invisível que integra e une os individuos. O que construimos tem sido fruto de um esforço coletivo, de engajamentos pessoais, de vontade de fazer algo para amenizar o sofrimento de populaçôes excluidas da partilha.

Source

Texte original

(France)

Centro de Estudos da Familia - Rua Frei Mansueto 150, 1301 - 60.17 Fortaleza, BRASIL Tel/fax 085 263 38 42

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