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A última flor do Lácio...

(La dernière fleur de Lacio...)

Aída BEZERRA

05 / 1996

"Inculta e bela", disse Bilac sobre a língua portuguesa que deu alma a Camões para ecrever o clássico "Os Lusíadas" a quem todo estudante de língua portuguesa tem obrigação de ser apresentado.

Por que Lácio? Lácio era uma região da Itália antiga onde se falava o latim. Dessa árvore muitas flores brotaram (o francês, o espanhol, etc)e a última, a mais brejeira, foi a língua que falamos e escrevemos. Como filha mais nova, ela herdou muito dos caminhos e experiências de suas irmãs mais velhas. Daí o seu lastro de riqueza, de amplitude, comunicabilidade e liberdade de se recriar.

Quando os navios a trouxeram para essa colônia tropical, ela não levou muito tempo para conversar e absorver os ganhos das línguas originais do Brasil, faladas pelas culturas tupi-guarani. Depois, mais nos enriquecemos com o que nos trouxeram os nossos irmãos africanos.

Agora, passados alguns séculos, já não podemos chamá-la de inculta. Talvez, a humildade de Camões o tenha levado a assim caracterizá-la porque a grandeza dos Lusíadas prova o contrário. E aqui no Brasil, os nossos Guimarães Rosas, Drummond, Machado de Assis, Chico Buarque, Cartola e tantos outros, não nos permitem essa falsa modéstia.

Mas bela, flor de muitas pétalas e muitas cores, sim.

E é essa a língua que estrutura as nossas idéias, articula o nosso pensamento. Quem pensa sem as palavras, sem o nome das coisas, seus atributos, e a identificação dos sentimentos? Quem sonha sem descrever as suas fantasias com os recursos do seu idioma de cultura, de raiz?

Apropriar-se sempre mais, cultivar e até cultuar essa riqueza de origem é também, ampliar-se, alargar as possibilidades de se dizer, de se saber; e portanto, de desvendar condições de aproximar-se dos outros e melhor entendê-los.

O triste é que nem todos conseguem transformar esse potencial em registro. Ainda somos, nesse sentido, lamentavelmente, um povo de maioria analfabeta. A escrita é a extensão, a visibilidade da fala, como o gesto. É a oportunidade de mais amplamente socializar as nossas idéias e artes. Todos, sem exceção, teriam que poder contribuir e usar desse tesouro. Por que não podem?

Mots-clés

éducation populaire


, Brésil

Notes

Este texto foi escrito para o Boletim do Coletivo de Educadores de Jovens e Adultos do Rio de Janeiro. Esse número (III)tratava justamente da influência da cultura portuguesa no Brasil.

Através do insentivo à produção e leitura de fichas de capitalização de experiências pedagógicas, a rede BAM pretende favorecer a um processo de formação continuada junto a coletivos de educadores de jovens e adultos (hoje, existentes nos estados do Rio de Janeiro e Pernambuco). Está apoiado numa metodologia que valoriza a autoria e promove a interação entre educadores de diferentes contextos.

Source

Texte original

SAPÉ (Serviços de Apoio à Pesquisa em Educaçào) - Rua Evaristo da Veiga, 16 SL 1601, CEP 20031-040 Rio de Janeiro/RJ, BRESIL - Tel 19 55 21 220 45 80 - Fax 55 21 220 16 16 - Brésil - sape (@) alternex.com.br

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