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Por quê ? Para quê ? Como Alfabetizar ?

Cláudia de Souza SALDANHA, Ednéa Barbosa NEVES, Verônica Martins FREITAS

05 / 1996

Falar em alfabetização, seja de crianças, adolescentes ou adultos, é falar em liberdade, porque só nos sentimos livres, quando podemos optar, e isso só acontece quando conhecemos verdadeiramente aquilo que escolhemos.

Para o homem que vive numa sociedade letrada como a nossa, saber é poder, o que muitas vezes é sinônimo de opressão e/ou manipulação.

Nós professores do PEJ (Programa de Educação Juvenil), entendemos que saber é poder compartilhar com outros saberes, é ajudar a abrir caminhos.

Alfabetizar é um ato político, no sentido amplo do termo e abrange a leitura não só das letras, mas também da realidade em que esses alunos se inserem.

A alfabetização de jovens e adultos é um investimento no presente, pois cada avanço na aprendizagem é um passo para que o aluno sinta-se mais próximo de uma sociedade na qual vive e onde, contraditoriamente, não se sente inserido. Cada barreira transposta é um "sinal verde"para que se admire, goste mais de si, confie na sua capacidadee, assim cresça enquanto ser social.

Perceb emos a alfabetização como um processo de apreensão do código escrito, que parte do que o aluno traz como experiência de vida e contato prévio com o mundo letrado. O objetivo desse trabalho transpõe a questão de ler, escrever e contar. Buscamos a interpretação daquilo que vemos, ouvimos, lemos e escrevemos, ou seja, do que vivemos, por saber que a alfabetização que mais convém ao educando é aquela que lhe oferece oportunidade para expressar suas idéias, seus sentimentos, questionar, duvidar, agir e reagir.

Nesse sentido, os jovens que hoje fazem parte do PEJ são privilegiados por estarem inseridos dentro dessa "nova" visão de alfabetização, pois, ao chegarem às escolas, deparam com uma outra realidade de ensino. Um ensino voltado para o interesse de cada um, ou seja, respeitando suas individualidades, mas sem deixar de lado a importância do coletivo. Nossa prática se realiza a partir de discussões prévias de assuntos do dia-a-dia que geram textos coletivos e também a partir de contato constante com textos de jornais e revistas.

Na turma inicial, trabalhamos com base na premissa de que quanto mais o aluno tem contato com a escrita, maior será a possibilidade de aprender. Utilizamos para isso a pesquisa de palavras em jornais e revistas. Por exemplo: pesquisa de palavras iniciadas com as vogais, depois fazemos bingo com essas palavras, palavras cruzadas, em seguida trabalhamos o número de letras e sílabas das palavras, formamos frases, etc.

Para trabalharmos a questão da identidade utilizamos o nome dos alunos buscando, também o conhecimento do alfabeto. Cada aluno confecciona o seu nome com o material que desejar: barbante, feijão, gez de cera. Realizamos uma atividade com os meses do ano, onde os alunos escreveram, como sabiam o mês escolhido por eles e desenharam algo que lembrasse aquele mês. Em seguida, fizemos uma linha do tempo, a partir do mês e ano em que cada um nasceu.

Elaboramos também o "alfabeto da vida". Cada aluno utilizou o material que quis (pano, mato, milho)para confeccionar a letra e citou palavras iniciadas por elas, como: V de vida, violência.

Fazemos constantemente listagens de nomes de objetos, pessoas profissões, rótulos de produtos e outros tipos de acordos a partir do interesse que a turma manifestar.

Em matemática procuramos trabalhar oralmentea noção de quantidade, a partir de experiência com números que eles possuem: pagar passagem, comprar, dar e receber troco.

Procuramos sempre mantê-los em contato com o outro, realizando trabalhos em grupo, inclusive "misturando"os alunos das diversas turmas para uma troca ainda mais rica.

Sabemos da importância do nosso trabalho e temos consciência de que para realizá-lo, não basta ter vontade de fazer, é preciso ter disposição para vencer. Vencer barreiras como o comodismo que cada um de nós ou de nossos alunos pode trazer consigo; como o cansaço de quem trabalhou todo o dia; como o preconceito que o aluno possui em relação a ele mesmo e que podemos trazer implícito em nós, como o medo de errar que é comum a todos, letrados ou não, e uma série de outros fatores com os quais "esbarramos" no nosso dia-a-dia.

Por isso, estamos sempre buscando a reconstrução nossa e do outro a quem nos dispomos a ensinar e com quem estamos sempre aprendendo. Porque só poderemos construir uma sociedade justa, baseada na participação, se nos construirmos antes, enquanto cidadãos.

Palavras-chave

alfabetização, educação popular, educação


, Brasil, Rio de Janeiro

Notas

Através do insentivo à produção e leitura de fichas de capitalização de experiências pedagógicas, a rede BAM pretende favorecer a um processo de formação continuada junto a coletivos de educadores de jovens e adultos (hoje, existentes nos estados do Rio de Janeiro e Pernambuco). Está apoiado numa metodologia que valoriza a autoria e promove a interação entre educadores de diferentes contextos.

Fonte

Texto original

SAPÉ (Serviços de Apoio à Pesquisa em Educaçào) - Rua Evaristo da Veiga, 16 SL 1601, CEP 20031-040 Rio de Janeiro/RJ, BRESIL - Tel 19 55 21 220 45 80 - Fax 55 21 220 16 16 - Brasil - sape (@) alternex.com.br

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