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A expansão da exportação de soja esbarra em problemas de transporte

Luc Vankrunkelsven

01 / 2004

O jornal ‘Folha de S. Paulo’ (comparável com ‘De Standaard’, de Flandres), de 1o de fevereiro de 2004, anuncia grandes problemas para a próxima safra recorde de soja. Mais uma safra recorde, que terá início em março.

Seguem alguns números reveladores  (1) e devo informar os leitores que aqui no Brasil fala-se de safra de ‘grãos’, principalmente soja, milho e arroz – ao invés de cereais, como é mais comum na Europa. A designação é diferente porque a soja é, na verdade, uma leguminosa. Trata-se da safra de verão. Freqüentemente, se obtém uma segunda safra (mais como lavoura ‘secundária’) cultivando estas áreas, no inverno, com trigo, centeio, cevada ou aveia. As lavouras de aveia são geralmente utilizadas como pasto de inverno para o gado… pelo menos no sul do Brasil. O trigo poderia ser chamado de um ‘derivado’ da soja, apesar de ter sido incluído na cesta básica (pão). Durante décadas o Brasil teve que importar este cereal, principalmente dos Estados Unidos. Na última safra, 2003, houve – pela primeira vez – um excedente de produção de trigo no Paraná, que precisava ser exportado urgentemente. Caso contrário, os preços cairiam demais. E assim se constata a influência indireta da expansão da soja (pastagens são convertidas em lavouras, campos naturais e cerrados são cultivados, pomares são destruídos) sobre as importação e exportação de trigo.

Os números

  • Entre 1995 e 2000, a produção de grãos variava entre 81 milhões e 83 milhões de toneladas. Em 2001 disparou para 100 milhões de toneladas e em 2003 para 122,38 milhões de toneladas. Para 2004, a previsão é de 129,7 milhões de toneladas (ou seja, 5,5% a mais), dos quais 58,764 milhões de toneladas de soja, 45,445 milhões de toneladas de milho, 11,776 milhões de toneladas de arroz.

  • Os grandes trunfos do Centro-Oeste do Brasil são o baixo preço das terras e a mão-de-obra barata. No sul do Brasil (Rio Grande do Sul), onde no final da década de 60 teve início a história recente da soja, o preço de ‘terra para soja’ triplicou. Como há pouca utilização de mão-de-obra na monocultura da soja, o baixo preço da terra é a principal vantagem competitiva do Brasil em relação aos EUA.

  • O calcanhar de Aquiles da soja brasileira é o transporte. O Brasil é um país de ‘caminhões e ônibus’, rodando em estradas esburacadas. Desde a década de 60, a rede ferroviária foi praticamente abandonada. Na década de 70, foi investido 1,8% do PIB em rodovias; em 2003, somente 0,1%. Dos grãos, 67% são transportados de caminhão, 28% de trem, 5% por via fluvial, enquanto o custo médio de mil quilômetros de transporte de uma tonelada de soja de caminhão é de US$ 40, de trem US$ 25 e por via fluvial US$ 13. Enquanto nos EUA o custo de transporte de uma tonelada de soja para o porto é, em média, de US$ 15,50, na Argentina é de US$ 16 e, no Brasil, US$ 23,50.

  • Por causa da escassez temporária de caminhões, o preço do frete ainda aumenta muito na época da safra. Em todo o Brasil só há espaço para armazenar 93,815 milhões de toneladas (enquanto a previsão de safra, no momento, é de 129,7 milhões de toneladas). Espera-se, portanto, que – se não este ano, com certeza nos próximos – os preços despenquem devido à oferta do excedente, que ficará ‘encalhado’.

  • Há previsão de filas de caminhões com até 70 quilômetros, como em 2003. E um tempo de espera de três dias para descarregar no porto… Espera-se, portanto, um grande movimento nas rodovias por aqui, com ou sem biodiesel. Biodiesel de soja?

Mas os suínos e os frangos da Europa nem tomarão conhecimento. A margarina Becel de seu café-da-manhã está garantida.

1o de fevereiro de 2004.

(1) No dossiê de Wervel ‘Soja voor mens en dier’ [‘Soja para homens e animais’] (2003), você encontrará muito mais informações sobre transporte, balanço energético, entre outros. Junto com muitos outros aspectos da história da soja, que recebe um tratamento aprofundado, este dossiê é de leitura obrigatória para quem quiser refletir sobre o fenômeno da soja.

Mots-clés

soja, agriculture d’exportation, prix des produits agricoles et alimentaires, concurrence commerciale


, Brésil, Paraná

dossier

Navios que se cruzam na calada da noite: soja sobre o oceano

Notes

Esse texto foi tirado do livro « Navios que se cruzam na calada da noite : soja sobre o oceano » de Luc Vankrunkelsven. Editado pela editora Grafica Popular - CEFURIA en 2006.

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